sexta-feira, 30 de abril de 2010

Histórico de "PAR"

O post anterior é a letra de "PAR", uma música que fiz em 1983. O "behind the scenes" associado a essa música pode ser considerado simplório, talvez até um pouco insosso, pra muita gente, mas teve um significado muito especial para mim.
Na época, eu estava cursando o último ano de mecânica no CEFET-RJ, e nossa turma resolveu se reunir em Piratininga na casa de praia de uma das colegas da turma, a Cláudia Mendes (pausa para propaganda: a Cláudia é designer e o seu cartão de visitas pode ser visto em http://www.cacaumendes.com.br). Era uma sexta-feira, 15 de julho de '83. Eu era apaixonado pela Vera, outra colega da turma, mas era mais tímido do que hoje em dia. Eu já havia falado com ela desse meu sentimento no ano anterior, mas ela não sentia a mesma coisa por mim. Então, nossa relação, que já era mínima, tornou-se nula. Eu tinha esperança que, em algum momento, durante aquela reunião em Piratininga, eu pudesse superar meus medos e barreiras e conseguisse voltar a falar com ela, talvez até, quem sabe, começar um namorico... Mas não deu certo.
Era já a tardinha quando a gente chegou na casa da Cláudia (fui de ônibus mesmo, com a mochila nas costas e o violão na mão :) ), e o pessoal já começara a preparar um mini-lual na praia. A noite foi caindo, fria e escura, e nós organizamos uma quadrilha de festa junina. Eu doidinho pra dançar com a Vera, mas, lerdo como eu sempre fui, não consegui chamá-la a tempo pra ser meu par na dança. Acabou sobrando pra mim a irmãzinha da Cláudia, a Aline, de 10 anos de idade (mais uma pausa para propaganda: a Aline é arquiteta e consultora de Feng Shui, e seu site é: http://www.terapiadeambientes.com/). Não era o que eu esperava, mas sem problema: aproveitei bem a brincadeira. Ainda havia a esperança de chegar junto da Vera. Doce ilusão... Depois da dança, fomos pra praia e os casaizinhos foram se formando. A Vera foi dar uma voltinha perto das pedras da praia com um de nossos colegas, o Marcos Caetano, e eles voltaram já de mãos dadas, se beijando, para o meu desespero (recado pra esposa do Marcos e pro marido da Vera: isso é passado, ok?! :) ). Eu fiquei arrasado e achei que o passeio já não tinha mais sentido pra mim.
Só que a madrugada foi chegando e o frio aumentando. O pai da Cláudia expulsou o povo do CEFET da casa, pois ficara furioso de saber que a filha estava namorando às escondidas um dos caras da turma. Tivemos que dormir na praia. Eu e alguns colegas nos reunimos em volta da fogueira e comecei a tocar violão. Caraca! Só cantava música de fossa! Até "Noite Feliz" eu dedilhei... pra dar aquele toque de ironia. A "platéia" reclamou... :) Mas foi bom. Fiz todo mundo dormir... :D
Quando chegou a manhã do dia seguinte, acordei babando, sentado numa cadeira de praia, enrolado no meu casaco, a fogueira já tinha se apagado e alguns amigos estavam jogando bola pra espantar o frio. Mas o engraçado é que aquela tristeza que sentia antes também havia se apagado. Uma sensação de alívio e liberdade se instalara no meu coração. Pois naquele momento eu já não queria mais olhar a Vera como objeto de desejo e sim como o que ela sempre foi: uma colega, uma amiga, e que estava namorando um grande amigo também. A alegria que veio junto foi tão boa, que acabou transbordando poucas semanas depois.
Foi numa madrugada de sábado para domingo, dia 7 de agosto de '83. Eu estava deitado, querendo dormir, mas não conseguia. Por volta de 1 ou 2 da manhã, comecei a pensar numa música, relembrando aquela festa junina em Piratininga e daquela menina de 10 anos que dançou comigo. Eu queria agradecê-la através dessa música... E a inspiração veio aos borbotões. Parecia que não era eu que estava compondo. Já ouvi dizer que, para compor uma música, é preciso 10% de inspiração e 90% de dedicação. Isso é verdade! Já havia feito outras músicas, e essa máxima funcionou direitinho. Mas naquele domingo, parecia que tinha um anjo assoprando no meu ouvido: letra, melodia, arranjo, tudo. Foi 10% de dedicação e 90% de inspiração! Peguei o violão e fui anotando a letra, as cifras, e tudo mais para não me esquecer de nada. Quando era 5 ou 6 da manhã, eu fui deitar já com a música pronta. Acordei de tarde, já retomando o violão pra continuar treinando e aperfeiçoando o arranjo.
No dia seguinte, cheguei no CEFET para mais um dia de aulas, e fui falar com a Cláudia. Disse que havia feito uma música de agradecimento pra Aline e dei-lhe a folha de caderno com a letra da música. Qual não foi a minha surpresa quando ela me falou que o aniversário da irmã tinha sido no dia anterior. Fiquei embasbacado! Eu tinha a intenção de oferecer apenas um "Obrigado" e acabei dando um presente de aniversário. Adorei a sincronicidade!

4 comentários:

  1. Irmão, acho que você sabe porque somos como somos.
    Gosto de pensar que você é como a voz que clama silenciosamente no deserto; que nossa irmã é como o arco-irís e que eu sou como o ar rarefeito da montanha.
    Sem ar não existe voz, sem voz não existe expressão ou autoexpressão, sem expressão não existe a ponte para Deus, sem Deus não existe vida.

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  2. Puxa, Alexandre, eu ainda não tinha visto essa! Como você não me avisa? rsrsrs

    Dois terços das minhas coisas estão encaixotadas há cinco anos, esperando uma casa só minha. E em alguma das caixas, está guardada aquela folha de caderno :)

    Obrigada por ter colocado a letra aqui. Às vezes eu tentava me lembrar e não conseguia. E agora, lendo, foi tão agradavelmente familiar...
    Gostei muito de saber como a música foi criada!
    Pra mim ela também sempre foi muito especial.
    Embora tenha sido sempre só uma poesia; eu nunca ouvi a melodia.

    Pode ter certeza de que, a qualquer hora, vou colocar isso no meu blog também, no mãe.de.três.

    E sabe como vim parar aqui? Estava analisando as estatísticas do meu site, e quis saber que blog era esse que tinha me encaminhado 2 visitantes. :D

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  3. Aline, só não te avisei de cara, pq nem sabia se a Cláudia tinha te dado o "presente". E quanto a ouvir a melodia, é só falar que a gente marca uma seresta (eita que antiguidade, né?! rsrsrs).
    Eu já tinha visitado (e vou continuar visitando) o mae.de.tres e foi vc que me deu a idéia de me auto-intitular pai.de.duas, pq apesar de não conviver todos os dias com minhas meninas, eu adoro o contato com elas...
    Obrigado, mais uma vez! ;)

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  4. Hoje, 15/07, aquele encontro faz 27 anos. Happy birthday!

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